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fado positivo

Porque não estamos condenados a ver sempre o copo meio-vazio, aqui só se destaca o copo meio-cheio

fado positivo

Porque não estamos condenados a ver sempre o copo meio-vazio, aqui só se destaca o copo meio-cheio

Sugerido pelo leito H.R.

 

Carros vendidos em Portugal são os menos poluentes da Europa

Os carros novos vendidos em Portugal são, pelo terceiro ano consecutivo, os menos poluidores da União Europeia, segundo um relatório hoje divulgado pelos ambientalistas da Quercus.

O relatório da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente, da qual a Quercus faz parte, conclui que as emissões dos automóveis novos vendidos em 2008 em Portugal eram as que tinham menor valor médio (138,3 gramas por quilómetro), seguidas pelas da França com 140,2 g/km.

Esta conclusão, referem os ambientalistas, prende-se com o facto de os portugueses, face ao seu poder de compra, serem muito sensíveis ao preço do veículo e ao seu consumo de combustível, mas também com as regras do Imposto sobre Veículos e do Imposto Único de Circulação que ponderam em 60 por cento a componente de emissões de CO2, reduzindo a carga fiscal dos veículos menos poluidores.

"Os dados de Portugal, em comparação com o resto da Europa, são animadores no combate às emissões de gases de efeito de estufa causadores das alterações climáticas. O novo imposto está a ter efeitos importantes", acrescentou.

A propósito da publicação do anuário estatístico, o Eurostat lançou alguns dados contidos nele como publicidade. O primeiro destaque vai direitinho a Portugal: 

There were 4.7 cases of infant mortality per 1 000 live births in the EU27 in 2006, down significantly from 28.6 in 1965 and 12.8 in 1985. In all Member States, the infant mortality rates decreased between 1965 and 2007. The largest absolute falls in the rate were recorded in Portugal (from 64.9 infant deaths per 1 000 live births in 1965 to 3.4 in 2007).

Como uma leitora apontava e muito bem aqui, a análise de estatística dá sempre para vermos a realidade como bem nos apetecer. É raro não haver aspectos claramente negativos e claramente positivos ao mesmo tempo nos mesmos números. É exactamente isso que tinha em mente quando escolhi o subtítulo "Porque não estamos condenados a ver sempre o copo meio-vazio, aqui só se destaca o copo meio-cheio". Quando os media só gostam de ver os números pela negativa, eu tomei a liberdade de os ver pela positiva.

Veja-se a última posta sobre as prespectivas de desemprego. Eu escrevi OCDE Portugal com terceiro menor aumento do número de desempregados enquanto os media escreviam algo como Desemprego poderá atingir 650 mil portugueses em 2010 (RTP). Quando os valores absolutos são bons, procura-se comparar com os outros países para procurar algo negativo. Quando a comparação nos dá notícias positivas, então foca-se apenas nos dados absolutos, como neste caso específico. Eu apenas decidi fazer exactamente o contrário. 

Mas com duas grandes diferenças:

1. Eu assumo que estou a ser imparcial. É o que diz o subtítulo. Os media nunca o fazem.

2. Há notícias em que é claríssimo em que os relatórios foram lidos e relidos, revirados, que se vasculhou as notas de rodapé. É frequente haver manchetes feitas com números que são tão secundários que nem vêm nos relatórios, vêm apenas nos seus anexos! Não estou a exagerar, há exemplos disto diariamente. Eu não perco mais de 5 minutos a olha para o amontoado de números.

No relatório da OCDE sobre as prespectivas de emprego, é afirmado que até ao fim de 2010 Portugal terá o terceiro crescimento mais baixo do número de desempregados em toda a OCDE (países desenvolvidos).

A média encontra-se nos 80,1% enquanto Portugal apenas crescerá 47,9% durante a crise.

 

A taxa de desemprego terá também ela um crescimento (em pontos percentuais) inferior à média.

No último relatório sobre o sector da construção lê-se

Among the Member States for which data are available for July 2009, construction output fell in nine and rose only in Poland (+5.2%), Sweden (+1.7%) and Portugal (+0.2%).

 

Em todas as comparações feitas (mensais, trimestrais, anuais e homóloga ou anterior) Portugal está claramente acima da média europeia. 

Portugal é o país da OCDE onde havia em 2007 a taxa de alunos inscritos em programas avançados de ensino superior era maior (mestrados de investigação e doutoramento)., segundo o mesmo relatório da OCDE sobre educação.

A taxa era o dobro da média dos países desenvolvidos, com especial destaque para as estudantes do sexo feminino cuja taxa não tinha qualquer paralelo nos restantes países.

Segundo o recente relatório da OCDE sobre educação, Portugal teve o segundo maior aumento da taxa de adultos que completaram um grau de educação superior (considerando a população constante) entre 1998 e 2006 e entre os países desenvolvidos.

Graças a isso, a geração dos 25-34 deixou de ser a última em termos de pessoas com educação superior, como é a actual geração dos 55-64, tendo saltado 8 países, estando à frente da Áustria e da Itália. Em termos de educação secundária, a geração mais nova também já não é a última, como é a geração dos pais, tenho saltado dois países.

A diferença é particularmente grande entre quem nasceu antes e depois do 25 de Abril. As taxas da população com ensino secundário ou superior têm um salto bem maior quando se passa abaixo dos 35 anos, comparando com a média da OCDE.

Quando escrevi esta posta comparei apenas os dados das sub-regiões, as chamadas NUTS III. Como reparei que também se diz, ou melhor aldraba, por aí que a "mega-região" (NUTS II ou seja regiões bem maiores) mais pobre da Europa também é em Portugal, fiz o mesmo exercício para as NUTS II.

Segundo os últimos dados do Eurostat, a região Norte de Portugal tinha em 2006 um PIB per capita em paridades de poder de compra 145% maior que a região mais pobre da UE27, a Nord-Est na Roménia. Como também encontrei muitas versões da mesma aldrabice apenas para a UE25 em 2005, fiz a mesma comparação. O Norte é 75% mais rico que a região lubelskieda Polónia.