A estatística dos copos vazios e dos copos cheios

Como uma leitora apontava e muito bem aqui, a análise de estatística dá sempre para vermos a realidade como bem nos apetecer. É raro não haver aspectos claramente negativos e claramente positivos ao mesmo tempo nos mesmos números. É exactamente isso que tinha em mente quando escolhi o subtítulo "Porque não estamos condenados a ver sempre o copo meio-vazio, aqui só se destaca o copo meio-cheio". Quando os media só gostam de ver os números pela negativa, eu tomei a liberdade de os ver pela positiva.

Veja-se a última posta sobre as prespectivas de desemprego. Eu escrevi OCDE Portugal com terceiro menor aumento do número de desempregados enquanto os media escreviam algo como Desemprego poderá atingir 650 mil portugueses em 2010 (RTP). Quando os valores absolutos são bons, procura-se comparar com os outros países para procurar algo negativo. Quando a comparação nos dá notícias positivas, então foca-se apenas nos dados absolutos, como neste caso específico. Eu apenas decidi fazer exactamente o contrário. 

Mas com duas grandes diferenças:

1. Eu assumo que estou a ser imparcial. É o que diz o subtítulo. Os media nunca o fazem.

2. Há notícias em que é claríssimo em que os relatórios foram lidos e relidos, revirados, que se vasculhou as notas de rodapé. É frequente haver manchetes feitas com números que são tão secundários que nem vêm nos relatórios, vêm apenas nos seus anexos! Não estou a exagerar, há exemplos disto diariamente. Eu não perco mais de 5 minutos a olha para o amontoado de números.

publicado por Miguel Carvalho às 13:33 | comentar | favorito
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